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RODA DE CONVERSA 1 – Homoparentalidades: vivências e contribuições com e para a Psicologia
 
Postado em 9/6/2016

Na tarde de quinta-feira (2/6), a roda de conversa “Homoparentalidades: vivências e contribuições com e para a Psicologia” contou com a presença do mestre em Psicologia/Processos de Subjetivação e pesquisador de assuntos referentes à diversidade sexual e de gênero na perspectiva psicanalítica, Hugo Bento; e da psicóloga e mãe lésbica de gêmeos, Renata Batista.

A coordenação da mesa ficou a cargo do graduando em Psicologia e membro da Comissão de Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual (CRP-MG), Rafael Oliveira, que falou sobre a situação do país e da sua pesquisa de conclusão de curso. “Estamos em um cenário político muito efervescente e a minha ideia é analisar quais dificuldades as famílias homoafetivas já constituídas, principalmente as composta por homens gays, passam diante de uma sociedade que está em um embate propondo o Estatuto da Família como sendo apenas composta por homem e mulher”, explicou.

Hugo Bento explicou que não só a adoção, mas também os procedimentos com as tecnologias de fertilização são classificados como homoparentalidade. “A adoção adquire implicações políticas e ideológicas peculiares quando requerida e efetivada por homossexuais e, na última década, tem sido alvo de debates e discussões legislativas em quase todo o mundo ocidental”, relatou. O psicólogo completou: “as Ciências Humanas são convidadas a tomarem o lugar da verdade no cenário contemporâneo, legitimando ou questionando posicionamentos ideológicos a respeito da instituição familiar”, afirmou.

Ele ainda relatou que é comum ouvir das pessoas que se mostram favoráveis à homoparentalidade, especialmente à adoção homoparental, dizer que casais homoafetivos podem adotar crianças e adolescentes porque é melhor um sujeito se desenvolver em um lar homoparental que em um abrigo para crianças. “Estariam, então, as condições necessárias ao exercício da parentalidade fundamentadas em um sentimento de solidariedade e bem-fazer de um casal condoído por crianças e adolescentes órfãos ou impossibilitados de viver com suas famílias biológicas? Em um contexto histórico-cultural que legitima o requerimento dos heterossexuais pela filiação adotiva considerando o desejo destes de se tornarem pais, por que os homossexuais devem receber o direito à paternidade ou à maternidade apenas se contribuírem para a solução de questões sociais referentes aos abrigos de crianças e adolescentes?”, questionou.

A psicóloga Renata Batista deu continuidade à mesa relatando a sua experiência como mãe lésbica de dois meninos gêmeos. “Meu sonho era ser mãe e sendo lésbica eu ficava me perguntando o que fazer. Em 2013, eu e minha esposa nos submetemos a um método que envolve a fertilização com o sêmen de um doador anônimo e o óvulo da minha companheira. Foram colados dois embriões em mim e assim nasceram meus dois filhos”, contou.

Renata afirmou que todas as pessoas questionam como acontece a criação dos filhos. “A reação das pessoas quando sabem que eu sou mãe lésbica é muitas vezes engraçada, mas eu acho que a gente tem que se expor mesmo e sair do anonimato”, relatou. Ela ainda falou que a certidão de nascimento dos filhos está com dupla maternidade, mas para isso houve muita luta. “Depois de ouvir muito ‘NÃO’ no cartório, conseguimos através de uma ação judicial uma juíza que nos reconheceu a dupla maternidade”, declarou. Renata também falou de um grupo do Facebook composto por famílias homoafetivas que se encontram para compartilhar informações. “Trocamos experiências práticas, escolares e é muito importante para todos nós movimentar a sociedade mostrando que somos uma família e merecemos ser respeitadas”, afirmou.

A psicóloga completou: “é engraçado como duas mães não pesam tanto no pensamento das pessoas. Elas falam que duas mães tudo bem porque mulher nasceu para ser mãe. Ainda sim é preconceituoso, mas é mais aceito quando se tem dois pais”, finalizou.