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RODA DE CONVERSA 2 – Psicologia e identidade
 
Postado em 9/6/2016

Na quinta-feira (2/6), aconteceu a roda de conversa “Psicologia e identidade: construções, atravessamentos, corpo, poder e representatividade”, mediada pela psicóloga Priscilla Messiane, membro da Comissão de Psicologia, Gênero e Diversidade do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG). O debate contou com a participação de Samuel Silva, psicólogo especialista em Terapia Comportamental e também membro da Comissão, e Vinícius Abdala, pesquisador das temáticas de diversidade sexual e de gênero.

“Corpos, controles, rótulos, limites, pele, expressão, adequação.” Priscilla iniciou sua fala questionando estereótipos e analisando como o gênero é uma construção sociocultural, de poder. Ela convidou a plateia a debater e desconstruir pontos como identidade de gênero, orientação sexual, desejo e relação. “Nossa relação com nosso corpo e com o outro é imprescindível para que possamos pensar quem somos a partir da nossa história de sujeito e dos processos de socialização de cada um”, complementou.

Armários -
Samuel Silva pôs em pauta a atuação da(o) psicóloga(o) e analisou a postura da(o) profissional diante de temas como diversidade sexual. Para ele, a(o) especialista precisa sair de três armários: o armário da teoria, do nicho e do manejo clínico. O armário da teoria se baseia nos estudos sobre o tema. “A gente tem mania de criticar as teorias sem ter muito conhecimento delas”, examina Samuel.

O segundo armário é o do nicho. Esse consiste na especialização da(o) psicóloga(o) para tratar temas mais específicos, como o público LGBT. “Precisamos focar em um tema para que esse público não fique invisibilizado diante de outras pautas”, analisou.

O terceiro é o que diz respeito ao manejo clínico que a(o) profissional precisa ter para tratar das(os) suas(seus) clientes. O primeiro passo, para Samuel, é a aceitação de si e com o outro. A(o) psicóloga(o) ou terapeuta afirmativa(o) precisa entender o universo LGBT. Mesmo que a(o) profissional não seja parte da sigla, é necessário que esteja disposto a ouvir e entender como é o universo – levando em conta que o público LGBT não é doente, mas que inevitavelmente a sociedade tem a capacidade de adoecê-lo.

Diante disso, é preciso que as(os) especialistas estejam dispostas(os) a perguntarem sem medo para suas(seus) clientes de que maneira o trabalho será produtivo e, de acordo com Samuel, “saírem um pouco do lugar de hegemonia que tem distanciado a(o) cliente da(o) profissional”. Priscilla também ressalta a dificuldade de acompanhar as nomenclaturas e pede que as(os) psicólogas(os) saiam do lugar de conforto e façam perguntas às(aos) clientes para que estejam atentas(os) aos temas relacionados à diversidade sexual.

Reforma de base - Vinícius Abdala explicou que o gênero é uma construção sociocultural e defendeu que seja realizada uma “reforma de base” nesse conceito. “A estruturação de gênero atravessa gerações e define interesses e gostos que se dão de maneira coercitiva através de um sistema econômico que se baseia na desigualdade”, afirmou.

O pesquisador também fez críticas ao que considera como medidas paliativas. “Precisamos falar das hierarquizações, domínios, manipulações do poder masculino que vêm antes de qualquer subjetividade produzida”, alertou. Essa hierarquização coloca a feminilidade como algo subalterno, caracterizando uma “sociedade estruturalmente machista”. Em razão disso, Vinícius propõe que a Psicologia seja fator principal e propulsor para a transformação social.