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MESA 3 – Currículo, diversidade, gênero e a formação em Psicologia
 
Postado em 9/6/2016

Currículo e formação em Psicologia - Na sexta-feira, 3 de junho, o I Seminário Mineiro de Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual começou  com a mesa “Currículo, diversidade, gênero e a formação em Psicologia”. O debate foi mediado pela graduanda em Psicologia e integrante da Comissão Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), Nanda Santos.

A doutora em Psicologia e professora do Centro Universitário UNA, Andréa Moreira Lima, fez uma avaliação sobre a forma como os cursos de Psicologia têm lidado com as temáticas de gênero e diversidade sexual. A professora explicou que o movimento de abertura das universidades a esses temas é marcado por idas e vindas e algumas instituições avançaram mais do que outras. Segundo a professora, a partir dos anos 1970 começaram a surgir experiências interessantes na Psicologia, dentre as quais ela destaca a Psicologia Feminista, por questionar a individualização da culpa e a compreensão do gênero como algo essencial. Nas décadas de 1980/1990 conceitos como ideologia, identidade e representações sociais começam a ganhar espaço na academia, assim como o questionamento de diagnósticos psicopatológicos normatizadores.

“Nós construímos currículos e eles nos constroem. Os currículos não são neutros”, destacou Andréa Lima. Segundo a professora, o não reconhecimento de temas como gênero e diversidade sexual leva ao silenciamento de determinadas culturas na sala de aula e isso traz repercussões como o desinteresse pela educação formal, evasão escolar e aumento da vulnerabilidade de determinados segmentos, que ficam sujeitos a situações como o subemprego.

Andréa Lima destacou dois dados: 130 mulheres são estupradas por dia no Brasil, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2015; o Brasil é o país com maior índice de crimes motivados por LGBTfobia. “A LGBTfobia e o machismo não são questões individuais, mas construções culturais e o papel da(o) professor(a) é problematizar a hegemonia linguística e cultural como fatores de exclusão”, enfatizou a professora Andréa Lima.

A psicóloga e professora aposentada do Departamento de Psicologia da UFMG, Sandra Azeredo, defendeu: “a nossa intervenção tem que ser no discurso”. Por isso, Sandra destacou a importância de que as pessoas sempre se posicionem em situações em que pessoas são tratadas de forma preconceituosa por causa do gênero ou da orientação sexual.

De acordo com Sandra, a Psicologia é necessariamente interdisciplinar e precisa estabelecer relações principalmente com a Literatura e a Política. Nesse sentido, a professora classificou como “trágico” o momento político que o Brasil atravessa. “Os ministérios são chefiados apenas por homens brancos heterossexuais e a secretária nacional de políticas para as mulheres já se declarou contra o aborto até em casos de estupro. Não podemos deixar que isso continue”, criticou.

Segundo a professora, para que a discussão sobre gênero e diversidade sexual avance no campo da Psicologia é importante que os binarismos sejam superados. “Uma coisa que me irritava profundamente quando eu era estudante era ter que responder o que é inato e o que é aprendido, em especial no que se refere às sexualidades. Ser gay é inato ou aprendido? O binarismo natureza/cultura está nos prendendo”, avaliou.

Inspirada num grafite que viu no Rio de Janeiro, Sandra Azeredo convocou o público a refletir sobre a importância de “revolucionar o cotidiano, cotidianizar a revolução”.