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Mostra discutiu práticas da(o) psicóloga(o) escolar sob os olhares da Psicologia e da Educação
 
Postado em 7/7/2016

Na sequência de debates da I Mostra de Práticas em Psicologia e Educação promovida na última sexta-feira (1), em Belo Horizonte, pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), por meio do Grupo de Trabalho em Psicologia Escolar e Educacional, foram abordadas as práticas da(o) psicóloga(o) escolar sob os olhares da Psicologia e da Educação. A mesa contou com as convidadas Juliana Garrido, pedagoga, mestra em Saúde da Criança e do Adolescente e militante do Movimento Despatologiza; Maria Cristina Fellet, psicóloga e pedagoga, mestre em Psicologia Social e especialista em Psicologia Escolar / Psicopedagogia; e Stela Maris Bretas Souza, psicóloga, mestre em Psicologia, especialista em Psicologia Educacional e Psicopedagogia e conselheira do CRP-MG.

A psicóloga e psicopedagoga Maria Cristina Fellet iniciou a fase de apresentações da mesa lançando as perguntas para o público: que projeto de ser humano temos? Quem queremos formar? Que olhar a escola tem dado para as práticas da Psicologia Escolar? Para ela, o país está estagnado e até mesmo retrocedendo no que diz respeito à Educação. “É preciso liberdade, autonomia e prazer para aprender”, sentenciou.

Maria Cristina afirmou que há um desconhecimento sobre a Psicologia Escolar. “Ela vai muito além do que se pensa. É clínica e organizacional também. A psicóloga trabalha com a escuta e, por isso consegue ensinar o outro a escutar”, disse completando que “as técnicas são simples, mas revolucionárias”.

Ao encerrar, a convidada contou que quando conversa com professores sempre pergunta: qual a sua escola? Como é a escola que você queria? O que você pretende fazer para que a escola que você quer seja construída? Segundo ela, a palavra é responsabilizar.

Pesquisa – A conselheira do CRP-MG, Stela Maris Bretas Souza, apresentou em seguida e abordou a pesquisa sobre a atuação de psicólogas(os) em Políticas de Educação Básica realizada pelo Conselho, por meio do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop), em 2009. “Os dados coletados apontam como um dos principais desafios vividos no cotidiano desses profissionais a desvinculação do papel da(o) psicóloga(o) de expectativas sobre a realização de um trabalho clínico na Educação Básica, o que claramente não está definido. Consequentemente, essa expectativa pode dificultar ou inviabilizar a ampliação das ações na Educação Básica”, disse.

Ela pontuou que o segmento da Psicologia Escolar e Educacional almeja um projeto educacional que vise coletivizar práticas de formação e de qualidade para todos; que lute pela valorização do trabalho do professor e constitua relações escolares democráticas, que enfrente os processos de medicalização, patologização e judicialização da vida de educadores e estudantes; que lute por políticas públicas que possibilitem o desenvolvimento de todos e todas, trabalhando na direção da superação dos processos de exclusão e estigmatização social.
 
“À(ao) psicóloga(o) cabe uma prática que conduza a criança e o jovem a descobrir o seu potencial de aprendizagem, auxiliando na utilização de mediadores culturais (música, teatro, desenho, dança, literatura, cinema, grafite, e tantas outras formas de expressão artística) que possibilitam expressões da subjetividade”, concluiu.

Convite à revolução – Juliana Garrido encerrou a fase de apresentações da mesa dizendo que “a I Mostra tem a função de desconstruir as verdades que nos desumanizam tanto. É um convite à revolução. Nos questionamos cada vez menos. Precisamos trabalhar fundamentando o que fazemos”.

A pedagoga descreveu o Movimento Despatologiza e contou que “ele se articulou com diversos profissionais com a intenção de conhecer os variados campos inseridos nos serviços de atendimento público à criança e ao adolescente com risco de sua manutenção na escola” e concluiu dizendo que “ele busca caminhos de humanizar as práticas, encontrar respostas diferentes e enfrentar a interrupção de direitos”.