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Psicologia é corresponsável por intervenções de qualidade nas políticas públicas
 
Publicado em 17/8/2016

A primeira mesa do evento “10 anos do CREPOP: construindo referências para a atuação da(o) psicóloga (o) em políticas públicas” teve como tema a “Formação e pesquisa em psicologia e políticas públicas”. O encontro foi promovido pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), nesta quarta-feira (17), no auditório do Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte. Participaram como palestrantes Flávia Abade, doutora e mestre em Psicologia, consultora para programas sociais e diretora acadêmica dos Institutos de Saúde e Ciências Humanas da UNA; e Márcia Mansur, psicóloga social, mestre em Ciências Sociais, professora da Faculdade de Psicologia da PUC Minas e colaboradora do CRP-MG. 

A gerente técnica do CRP-MG, Flávia Santana, coordenou o debate e, ao abrir as exposições, realçou a importância do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) como serviço desafiador, produtor de novas referências e capaz de arejar os diversos espaços onde a Psicologia está inserida.

Prática de intervenção - Márcia Mansur fez a primeira exposição da mesa. Em sua fala, marcou como a Psicologia tem sido corresponsável pela construção de uma intervenção de qualidade nas políticas públicas, com efetividade junto à população. “Mas, isso exige referencial teórico e metodológico para dar conta de toda a complexidade. Para produzir uma Psicologia contextualizada, com teorias nossas e que divulgue a profissão para outras profissões”, alertou reforçando que este é papel do Crepop.

Segundo a professora da PUC Minas, a Psicologia se insere nas políticas públicas por meio de duas vias: uma mais institucional, enquanto ciência, e outra que diz respeito às ações e intervenções dos profissionais que estão nos serviços em contato direito com os usuários, preparando o sujeito para essa interação, para lidar com a diversidade. “Os princípios norteadores dessa Psicologia estão relacionados ao compromisso de redução de desigualdades sociais, com a participação democrática do cidadão em todas as instâncias políticas e com a justiça social”, pontuou, chamando ainda atenção para a necessidade da formação contemplar disciplinas relacionadas ao tema, pois tem uma relação direta com essa intervenção de qualidade.

“Encerro enumerando aqui os princípios éticos políticos que devem estar presentes na Psicologia. São eles a emancipação do sujeito, processo coletivo por meio da conquista de direitos; o combate à pobreza política, incentivando não o consumo, mas a participação política, a reflexão, acrítica; as noções de solidariedade, desnaturalizando o individual para pensar numa sociedade em comunidade; novas formas de ver o mundo, sem reproduzir formas regulamentadoras que não respeitam a diversidade; e ainda o questionamento dessas relações de gênero presentes na sociedade; o diálogo entre a teoria e a prática; e a interdisciplinaridade, pois nenhuma ciência dá conta de abarcar a diversidade e complexidade dos nossos problemas”, concluiu Márcia Mansur. 

Superação de dicotomias e estereotipias - Flávia Abade se apresentou em seguida com base em sua recente pesquisa de doutorado relacionada às políticas públicas de assistência social. Ela iniciou dizendo que o CRP-MG é também um espaço de formação. “No meu trabalho, nas políticas públicas que estudo e interajo vejo o tanto que é importante a produção do Crepop, dos documentos de referência”, afirmou.

Nesse contexto de estudo e pesquisa elencou como desafios superar as práticas de atendimento individual, dicotomias e estereotipias relacionadas às práticas da Psicologia e do Serviço Social; a urgente necessidade de articulação com outros programas e serviços; a necessidade de lidar com o contexto de violência urbana; a ressignificação das experiências e práticas já existentes; e a melhoria dos processos de monitoramento e avaliação dos serviços.

“No ciclo clássico das políticas públicas temos a formulação de políticas, a formação de agenda, ou seja, as necessidades que precisam entrar na agenda do governo, a avaliação, a implementação e o processo de tomada de decisão. Vemos claramente nosso papel, mas no monitoramento, na avaliação, percebo que poderíamos trazer contribuições. A Psicologia ainda tem pouca participação nessa fase”, atentou a diretora acadêmica dos Institutos de Saúde e Ciências Humanas da UNA.

Para ela, outra questão que deve ser muito bem observada pela categoria é a interação com outros profissionais. “As políticas públicas são um campo interdisciplinar, são respostas sociais expressas em um conjunto de diretrizes, com outras formas de pensar que não só a Psicologia. É fundamental o diálogo com outros conhecimentos”, finalizou.