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Psicologia em Foco debateu desafios da reforma psiquiátrica no Brasil
 
Postado em 8/6/2017

O Psicologia em Foco desta quarta-feira, 7/6, trouxe o tema “A Saúde Mental que queremos e seus enfrentamentos”. Participaram do debate Políbio Souza, psiquiatra do Centro de Referência Saúde Mental (CERSAM) Noroeste, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Prefeitura de Belo Horizonte, e a psicóloga Tulíola Almeida, que é doutoranda em Psicologia (PUC-MG) e militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental. Como mediadora da mesa, a psicóloga e presidenta do Sindicato das(os) Psicólogas(os) de Minas Gerais, Lourdes Machado. O registro do debate, em vídeo, pode ser acessado aqui

Desafios da reforma psiquiátrica - Políbio falou dos avanços sociais e do retrocesso político que o país passa e como isso afeta os direitos conquistados com a Lei da Reforma Psiquiátrica (10.216), de 2001. O psiquiatra ainda deu exemplos de casos recentes de violência nos manicômios para esclarecer que a reforma psiquiátrica ainda está em curso e que os avanços demandam luta e levam tempo.

“Em Minas, nós temos 368 unidades de CAPS e, no país, mais de 2400. Hoje não podemos mais dizer que esses Centros de Atendimento ao portador de saúde mental não são possíveis de serem instalados nas cidades. É claro que em algumas cidades fica evidente a falta de efetividade para atender o público, mas já não podemos mais ter a desculpa do não é possível, a reforma psiquiátrica é possível”, afirmou Políbio.

O psiquiatra também deixou claro que ainda existem problemas graves: alertou que os leitos de hospitais gerais, criados para atender crises, se tornaram mini manicômios e que a quantidade de CAPS III – 80 em todo o país – é pequena.

Retrocesso – A psicóloga Tulíola Almeida falou sobre o ofício divulgado no dia 25 de abril deste ano pela Associação da Brasileira de Psiquiatria e do Conselho Federal de Medicina que traz várias recomendações relacionadas à lei da reforma psiquiátrica.

“O documento se baseia principalmente na lei 10.216/2001, que é nossa referência legal. A nota fala de todas as insuficiências da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), critica o fechamento de leitos psiquiátricos, o sucateamento dos hospitais de custódia e, em alguns pontos falam de uma certa prevalência de transtornos mentais, dando porcentagens de pessoas com depressão, dependência química, índices altos de suicídios e ainda citam casos de suicídios que poderiam ser evitados, mas o que mais intriga nisso tudo é que não existem as fontes dessas informações. Então, quais sãos os critérios? Que referências epidemiológicas são essas? ”, apontou Tulíola.

A psicóloga explica que os argumentos apontados no ofício levam à internação, mesmo que involuntária, como a principal medida de tratamento.