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CRP-MG promoveu seminário sobre avaliação psicológica em concurso público
 
Postado em 13/6/2017
 
Dificuldades no relacionamento com o Sistema de Justiça, “treinamento” ofertado a candidatos, testes disponíveis na internet. Estes foram alguns dos desafios discutidos no “Seminário Avaliação Psicológica em Concurso Público: Metodologias e Práticas”, realizado pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), por meio da Comissão de Avaliação Psicológica.

O evento, realizado em Belo Horizonte no dia 10/6, contou com a participação de representantes do CRP-MG, Conselho Federal de Psicologia, Polícia Federal, Polícia Militar de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, pesquisadores e psicólogas(os) que atuam na área da avaliação psicológica.

O conselheiro e coordenador da Comissão de Avaliação Psicológica do CRP-MG, Délcio Guimarães, explica que a realização do seminário está alinhada ao aumento do número de casos que têm sido encaminhados à Comissão de Orientação e Fiscalização do Conselho Regional de Psicologia relativos à avaliação psicológica no contexto de concursos públicos.

Prevenção – Segundo a conselheira responsável pela Secretaria de Orientação e Ética do Conselho Federal de Psicologia, Júnia Lara, de 2010 a 2015, a maior parte dos processos que chegaram ao CFP dizem respeito à fragilidade de laudos emitidos por psicólogas(os). “São muitas as variáveis que têm que ser analisadas e o CFP apoia integralmente iniciativas como esse seminário para que possamos qualificar, instrumentalizar e refletir sobre as dificuldades na avaliação psicológica para que essas infrações diminuam cada vez mais”, afirmou a conselheira.

A conselheira do CFP, Daniela Zanini, apresentou as ações que têm sido realizadas pela Comissão Consultiva de Avaliação Psicológica do CFP. Daniela Zanini enfatizou que desde 2003, quando foi publicada a Resolução 002, que define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos, o campo da avaliação psicológica passou por grande ampliação e surgiram questões que não são contempladas pela Resolução. Por isso, a revisão dessa normativa é uma das ações em curso.

Segundo Daniela, a Comissão tem trabalhado também na revisão do Satepsi (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos). Outra questão colocada para a Comissão é a discussão sobre a exclusividade de uso de testes psicológicos por profissionais de Psicologia. A conselheira enfatizou a importância desses debates devido à crescente judicialização de casos envolvendo a avaliação psicológica em concursos públicos.

A professora da Universidade de Brasília (UnB), Cristiane Faiad, destacou a relação entres dois saberes que são acionados no caso da avalição psicológica em concurso público: o da Psicologia e o do Sistema de Justiça. “Até onde esses saberes conversam para que um não se sobreponha ao outro?”, questionou. A psicóloga apresentou trechos de decisões judiciais que desqualificam o trabalho realizado por psicólogas(os). “A justiça ocupou o espaço de definir a competência da nossa avaliação psicológica”, afirmou. Segundo Cristiane, há, por exemplo, jurisprudências que proíbem a realização de entrevistas e dinâmicas em grupo nos casos de concursos públicos.

A pesquisadora realçou a importância de que para cargos relacionados à segurança pública, a avaliação psicológica ocorra de forma continuada e aconteça também durante os cursos de formação e o estágio probatório.

Prática – Profissionais de Psicologia que atuam na Polícia Federal, na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros de Minas Gerais relataram experiências da avaliação psicológica nos concursos dessas instituições.

A psicóloga da Academia Nacional de Polícia Federal, Ludmila Cunha, explicou que o órgão não utiliza testes psicológicos que estão na internet, como uma das estratégias para enfrentar o “treinamento” de candidatos para a fase da avaliação psicológica. Ela relatou que uma experiência que tem sido bem sucedida na PF é a avaliação psicológica complementar durante o curso de Formação Profissional. Nessa etapa é ofertada formação em Psicologia Aplicada à Segurança Pública e houve uma sensibilização dos orientadores do curso de formação para a utilização de fichas de relatos de incidentes críticos para auxiliar na sistematização das observações sobre o desempenho de candidatos.

Segundo Ludmila, o setor responsável pela avaliação psicológica também realiza visitas técnicas a Advocacia Geral da União, Judiciário, Ministério da Justiça e outros órgãos públicos para promover o diálogo sobre a importância dos resultados obtidos na avaliação psicológica de candidatos, uma vez que muitos dos que são considerados inaptos nesta fase recorrem à Justiça em busca de reversão do resultado.

A tenente oficial psicóloga do Centro de Recrutamento e Seleção da Polícia Militar de Minas Gerais, Patrícia Toscano, enumerou como três principais dificuldades da avaliação psicológica nos concursos promovidos pela PM: o prazo curto definido para essa etapa de avaliação – o que implica na seleção de testes que possam ser aplicados e corrigidos neste prazo –, o “treinamento” de candidatos para essa fase e a divulgação dos testes na internet.

Patrícia explicou que a etapa de avaliação psicológica nos concursos da PM é realizada por meio de parceria com clínicas conveniadas e há reuniões com essas instituições para garantir o nivelamento e a padronização de procedimentos. Recentemente, a Polícia Militar também realizou uma prova para psicólogas(os) interessadas(os) em trabalhar nas clínicas para realizar as avaliações.

O oficial psicólogo do Corpo de Bombeiros e professor da PUC Minas, Eduardo Lima, explicou que a corporação também estabelece parcerias com clínicas particulares para a realização do concurso público e que reuniões de nivelamento são fundamentais para garantir que o processo ocorra da melhor maneira possível. Nesses encontros são discutidas questões que suscitaram recursos em certames anteriores. “Foi uma iniciativa muito interessante reunir profissionais ligados à segurança pública e à defesa civil para discutir práticas da avaliação psicológica nos concursos públicos. A gente percebe que os desafios são semelhantes”, avaliou Eduardo Lima.

Segundo a psicóloga e coordenadora do Grupo de Trabalho Avaliação Psicológica na subsede Sudeste do CRP-MG, Elza Lobosque, o tema do seminário foi o que apareceu com maior destaque nos trabalhos do GT e da Comissão. “Esse seminário procurou unir os psicólogos das instituições para uma troca de experiências e nos auxiliou a avaliar melhor as dificuldades e pensar propostas que serão encaminhadas à Comissão Consultiva do Conselho Federal de Psicologia para que possamos caminhar juntos, numa melhora cuidando da profissão”, explicou Elza Lobosque.