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Dia da Psicologia Latino-Americana é marcado por debate no Conselho
 
Publicado em 10/10/2017

O Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) realizou neste sábado, 7/10, a mesa "América Latina: uma leitura geopolítica do capitalismo contemporâneo". Veja o debate na íntegra.

O evento marcou o Dia da Psicologia Latino-Americana, comemorado dia 8 de outubro, e contou com as convidadas Suellen Mayara Peres de Oliveira, professora adjunta da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e professora e pesquisadora na área de Relações Internacionais, estudos sobre América latina e história da historiografia; e Vanilda Aparecida dos Santos, membro do Conselho Fiscal da Associação Ibero Latino-americana de Psicologia Política e do Núcleo de Estudos Estratégicos e Relações Internacionais da Universidade Federal do Acre.

A mediação do debate ficou a cargo da psicóloga Odila Maria Fernandes Braga, colaboradora da diretoria da Fundação Gregório Baremblitt de Uberaba-MG, conselheira e membro das Comissões de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas e de Psicólogas(os) da Saúde do CRP-MG. Segundo ela, o debate teve a função de situar o país no contexto geral das políticas, dando ciência das consequências à curto, médio e longo prazos para que todas(os) possam assumir suas responsabilidades na mudança de cenário.

Soberania e democracia – A professora Suellen Oliveira iniciou a fase de apresentações explicando que o maior desafio da América Latina é manter a soberania e a democracia. Traçou as principais tendências mostrando que a maioria já está em curso como o aumento dos movimentos nacionalistas e ascensão de partidos políticos de extrema direita; crescimento da acumulação e concentração de renda; alto protecionismo e baixo poder dos blocos regionais; e maior demanda por energia e consequente aumento dos conflitos por reservas energéticas.

“Temos um cenário provável que mostra o equilíbrio de forças políticas em coalização entre os Estados que têm direções políticas de esquerda e a direção política de direita, a paralisação dos mecanismos de integração e defesa dos direitos humanos, a disputa entre a influência dos grandes investidores globais e as organizações civis do terceiro setor e ainda o aumento dos conflitos sociais e, a longo prazo, desempregados se tornando trabalhadores dos aplicativos tecnológicos”, explicou.

Desencanto com o Estado – Mostrar o impacto psicopolítico da corrupção no Brasil foi o objetivo da apresentação de Vanilda Santos. Em sua análise, a corrupção não é uma fatalidade e a tolerância da população cedeu lugar às críticas contra o Estado. “Temos um cidadão mais ativo” disse. Segundo Vanilda, estão instalados nas pessoas os sentimentos de desconfiança, falta de credibilidade e desencanto político. “Estamos falando da legitimidade como uma propriedade psicológica, um valor interno, um sentimento que o governo cumpre seu papel de maneira justa, responsável e eficaz”, completou.

Ela expôs ainda o novo campo de pesquisa da Psicologia: a Psicologia Política, que estuda os eventos políticos e a influência desses eventos na psique humana. “Por outro lado, temos que verificar o quanto a nossa subjetividade instiga nossos posicionamentos políticos”, finalizou.