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Conselho promoveu debate sobre invisibilidade bissexual e saúde mental
 
Publicado 11/10/2017

Nesta terça-feira (10), o Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) promoveu a roda de conversa "Psicologia e bissexualidade: mais de dois lados da questão" - Especial Visibilidade Bissexual.

Participaram como convidadas(os) Daniel Reis, psicólogo, militante bissexual e pela não monogamia, integrante do Grupo de Pesquisa Psicanálise e Política (UFMG) e da Frente Bi; e Nanda Rossi, militante feminista e bissexual, estudante de Comunicação Social - Cinema e Audiovisual, integrante da Frente Autônoma LGBT. A mediação foi feita por Paula Duarte, psicóloga, integrante da Comissão de Psicologia, Gênero e Diversidade Sexual do CRP-MG. Clique aqui para ver as fotos.

Ao abrir o evento, Paula Duarte chamou a atenção do público sobre a massiva patologização das bissexualidades, sendo consideradas sintomas de sofrimentos psíquicos. “Por mais que hoje em dia ocorram muitas discussões sobre o assunto, a orientação bissexual ainda enfrenta muitos estigmas e preconceitos”, disse completando que a “bissexualidade não é binária”.  A psicóloga pontuou ainda que 23 de setembro, Dia da Visibilidade Bissexual, tem uma estreita relação com o Setembro Amarelo, devido à alta incidência de quadros de depressão, tentativas e atos consumados de suicídio sofridos por pessoas bissexuais.

Invisibilidade e saúde mental – Daniel Reis foi o primeiro a se apresentar no evento. Sua fala ressaltou a supressão da identidade bissexual e suas consequências. Segundo ele, a sociedade marca o tempo todo a existência de uma identidade homossexual, não existindo um discurso social que aponte para a existência das bissexualidades. “Muito importante pensar nas consequências desse apagamento. As subjetividades são construídas de forma extremamente conturbadas e a sexualidade é ainda mais, principalmente com todos esses processos de invisiblização. Quando as pessoas começam a se identificar é necessário passar por uma desconstrução dos próprios conceitos relativos às crenças, relações, afetos, sexualidades, até se encontrar em uma espécie de "caixa sexual". No entanto, no caso das(os) bissexuais esse momento de desconstrução não chega a lugar algum, gerando uma situação de grande confusão mental”, relatou o psicólogo.

As consequências diretas, segundo ele, são os sofrimentos mentais. “Bissexuais estão sujeitas(os) a abusos e várias outras violências porque sua identidade sexual é muito frágil já que a sociedade diz que elas/eles não existem”, completou, Daniel Reis. Ele marcou ainda que para as pessoas bi, o lugar de identificação social necessita ser construído diariamente.

Terceiro mundo – “A representação das bissexualidades só é válida quando também mostramos suas lutas”, disse Nanda Rossi ao iniciar sua apresentação. Ela explicou que não transita em dois mundos, como as pessoas pensam. Cria-se um terceiro mundo para tentar ser feliz. “Esse mundo, o contexto social nos agride, nos faz mal, nos causa dor. Praticamente todas as pessoas bissexuais que conheço têm algum transtorno mental, alguma doença, decorrentes das bifobias”, frisou.

Nanda Rossi chamou a atenção para a pluralidade do grupo LGBT, para seu potencial revolucionário de luta contra a heteronormatividade. “Algumas identidades como as trans e travestis, não-binárias, enfrentam as mesmas dificuldades, o mesmo apagamento que nós. Precisamos lugar juntos contra a violência e a prisão do binarismo. Vamos continuar existindo e precisamos criar uma terceira coisa que possa fluir, com respeito”, convocou a militante. A conselheira-presidenta, Dalcira Ferrão, reafirma o posicionamento do Conselho Regional de Psicologia - Minas Gerais, no enfrentamento da bifobia e de qualquer prática opressora ou discriminatória no que se refere às identidades sexuais e/ou de gênero.