03 jun Ciclo de palestras sobre luta antimanicomial mobiliza estudantes e fortalece debate sobre práticas profissionais
Iniciativa do CRP-MG passou por 20 cidades mineiras, reuniu 21 conselheiras(os) e promoveu reflexões sobre a aplicação dos princípios antimanicomiais na atuação Psi
Jornalismo CRP-MG

Presidente do CRP-MG, André Moreno, ministra palestra na UNIUBE, em Uberaba
Ao longo do mês de maio, o Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) realizou o ciclo de palestras Luta Antimanicomial: da história à prática efetiva, iniciativa que integrou a programação do Conselho para o 18 de Maio, Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Ao todo, foram promovidas 23 palestras em instituições de ensino superior de diferentes regiões do estado, com a participação de 21 conselheiras(os) e representantes do CRP-MG.
Segundo a conselheira do CRP-MG Laura Lobo, o objetivo foi ampliar o debate sobre a luta antimanicomial entre estudantes e profissionais da Psicologia, articulando memória histórica e desafios contemporâneos da atenção em saúde mental.

Conselheira Laura Lobo em palestra na UNA Divinópolis
“Buscamos fortalecer a reflexão crítica acerca dos princípios que sustentam a reforma psiquiátrica brasileira e a defesa dos direitos humanos, reafirmando a importância de um tratamento digno, ético e humanizado”, conta.
A abertura oficial ocorreu no dia 7 de maio na Universidade FUMEC, em Belo Horizonte, e está disponível no canal do CRP-MG no YouTube.
Interiorização do debate
Após a abertura, o ciclo percorreu instituições de ensino em diversas regiões de Minas Gerais, chegando a cidades como Ipatinga, Ubá, Governador Valadares, Divinópolis, Varginha, Uberlândia, Montes Claros, Juiz de Fora, Poços de Caldas, Araxá e Belo Horizonte, entre outras.
As atividades foram realizadas presencialmente e contaram com a participação de conselheiras(os) do CRP-MG e docentes das instituições parceiras. Confira os registros:

Da história à prática
Além de revisitar marcos históricos da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica, as palestras discutiram como esses princípios podem orientar intervenções concretas em áreas como Saúde, Assistência Social, Educação, Sistema de Justiça e Políticas Públicas.
Durante os encontros, também foram debatidos os desafios atuais da atenção psicossocial e a importância do fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). “Expusemos o histórico da luta e os pressupostos teóricos que sustentaram e sustentam ainda hoje as principais ações do movimento antimanicomial. Mas defendemos também a necessidade de valorização da RAPS e da produção de dados de qualidade sobre os tratamentos oferecidos aos usuários”, destaca o conselheiro do CRP-MG André Ferreira.

Conselheiro André Ferreira em palestra na FAPAM
O conselheiro observa que, embora a luta antimanicomial ocupe lugar central na história da Psicologia brasileira, sua abordagem ainda costuma aparecer de forma predominantemente teórica na formação acadêmica. “Fomentamos o debate sobre o tratamento de qualidade, que respeita a autonomia dos sujeitos e leva em conta seu contexto, mas que também tenta garantir maior efetividade”, explica.
Para André, o ciclo alcançou seu objetivo ao ampliar o debate sobre saúde mental junto às instituições de ensino e aproximar estudantes do trabalho desenvolvido pelo Conselho. “Demos palestra para centenas de estudantes, creio que no somatório sejam mais de mil, e aqueles que não conheciam a história da luta antimanicomial e os crimes do Hospital Colônia de Barbacena foram sensibilizados. Os que já conheciam tiveram acesso à análise do momento presente do tratamento em saúde mental pelo SUS e à nossa proposta de produção e integração de dados sobre a qualidade do serviço prestado”, avalia.
Para Laura, o ciclo representou uma oportunidade importante de diálogo e construção coletiva em torno da atenção psicossocial. “O conhecimento é fundamental para que estudantes e profissionais compreendam a relevância de discutir esse tema e tenham acesso a informações que possibilitem reflexão crítica sobre a história, os avanços e os desafios da atenção em saúde mental. O ciclo contribuiu para manter viva a reflexão sobre os princípios e as conquistas da luta antimanicomial”, conclui.






