02 jul Entrevista: conselheira Ângela Valentim explica importância da Comissão Permanente de Relações Étnico-Raciais do CRP-MG
Ao regulamentar a atuação do grupo, autarquia reafirma a necessidade de enfrentar o racismo e seus impactos na saúde mental e nas condições de vida da população

Conselheira Ângela Valentim é a atual presidenta da Comissão Permanente de Relações Étnico-Raciais
Jornalismo CRP-MG
Junho de 2026 entra para a história do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) como o mês em que foi oficializado o funcionamento da Comissão Permanente de Relações Étnico-Raciais no âmbito da autarquia. A medida se concretiza com a publicação da Resolução CRP-MG nº 2/2026, que define finalidade, princípios orientadores, composição, competências, funcionamento e outros aspectos relacionados à Comissão.
A principal mudança ocorre no status da Comissão: ela deixa de ser uma comissão de orientação temática e é alçada à condição de comissão permanente. Para que se possa dimensionar o impacto dessa medida, o CRP-MG conta com apenas outras cinco comissões permanentes, dentre as quais estão Comissão de Orientação e Fiscalização, Comissão de Ética e Comissão de Direitos Humanos.
Na entrevista a seguir, a conselheira e presidenta da Comissão, Ângela Valentim, explica os desdobramentos dessa transformação, que traz mais segurança e reafirma a importância da perspectiva étnico-racial na atuação do Conselho.
Além da conselheira Ângela Valentim, também integram a Comissão as conselheiras Fabiana Alcântara e Samantha Alves. As ações do grupo serão divulgadas nos meios de comunicação do CRP-MG, por isso, continue acompanhando nosso site e o perfil no Instagram.
A Comissão de Relações Étnico-Raciais ganhou o status de Comissão Permanente. Qual o significado dessa mudança considerando o contexto do CRP-MG?
A transformação da Comissão de Relações Étnico-Raciais em Comissão Permanente representa o reconhecimento institucional da importância e da centralidade das questões étnico-r
aciais para o exercício da Psicologia e para a atuação do CRP-MG. Essa mudança reafirma o compromisso do Conselho com uma Psicologia ética, comprometida com os direitos humanos e com o enfrentamento das desigualdades, do racismo e das diferentes formas de violência produzidas pelas relações raciais em nossa sociedade.
Mais do que uma mudança administrativa, tornar-se uma Comissão Permanente significa garantir continuidade, estrutura e legitimidade para que a pauta das relações étnico-raciais esteja incorporada de forma transversal nas ações do Conselho, fortalecendo o diálogo com a categoria e com a sociedade, bem como na elaboração de políticas institucionais que levem em consideração os marcadores de raça.
Por se tratar de uma comissão permanente, muda também a forma de participação da categoria junto aos trabalhos da Comissão?
Sim. Com a instituição da Comissão como permanente, sua forma de funcionamento passa a seguir as normativas do Conselho, o que significa que as reuniões de trabalho deixam de ser abertas e passam a ser restritas às pessoas que compõem oficialmente a Comissão. No entanto, essa mudança não significa um distanciamento da categoria. A participação de psicólogas, psicólogos e estudantes continua sendo considerada essencial para fortalecer o debate sobre as relações étnico-raciais na Psicologia. Nesse sentido, a Comissão está estruturando um planejamento que contemple diferentes espaços de diálogo e participação, como eventos, rodas de conversa, consultas e outras ações que possibilitem a escuta das demandas, a troca de experiências e a construção coletiva de propostas.
Assim, embora a participação direta nas reuniões da Comissão deixe de ocorrer, o compromisso permanece sendo o de manter um diálogo permanente com a categoria, garantindo que suas contribuições orientem e fortaleçam a atuação da Comissão.
A Comissão participou da elaboração da Resolução que regulamenta seu funcionamento?
Sim. A construção da Resolução e das diretrizes de funcionamento da Comissão considerou a trajetória da Comissão Temática de Relações Raciais do CRP-MG, bem como as experiências desenvolvidas por Comissões de Relações Étnico-Raciais de outros Conselhos Regionais de Psicologia. Esse processo foi fundamental para consolidar uma organização que reconheça a história construída, as demandas da categoria e a importância de uma atuação permanente, articulada e comprometida com a promoção da equidade racial no âmbito do CRP-MG.
A elaboração da Resolução representa também um marco de fortalecimento institucional, pois estabelece referências para o desenvolvimento das ações da Comissão, garantindo maior continuidade, organização e alinhamento com o compromisso ético-político da Psicologia no enfrentamento do racismo e das desigualdades étnico-raciais.
Como tem sido a dinâmica de trabalho da Comissão?
A Comissão realiza discussões internas, planejamento de ações, acompanhamento de demandas relacionadas às relações étnico-raciais e construção de atividades que contribuam para a sensibilização da categoria.
O trabalho envolve uma perspectiva de espaços formativos, buscando promover reflexões sobre racismo, desigualdades, práticas profissionais e a responsabilidade da Psicologia na construção de uma sociedade mais justa e equânime.
Quais são os planos da Comissão considerando o período de gestão do XVIII Plenário, que vai até setembro de 2028?
Para o período da gestão do XVIII Plenário, a Comissão pretende fortalecer a presença da pauta étnico-racial, dentro do eixo de valorização da Psicologia, ampliando ações de diálogo e participação da categoria.
Entre as ações importantes estão a continuidade de espaços de discussão sobre relações étnico-raciais e Psicologia, o fortalecimento da articulação com movimentos sociais, instituições e demais espaços comprometidos com a promoção da equidade racial, além da produção de reflexões e orientações que contribuam para uma atuação profissional antirracista.
Um dos principais compromissos da Comissão é contribuir para que a Psicologia reconheça seu papel histórico e social no enfrentamento do racismo, fortalecendo práticas profissionais pautadas na ética, nos direitos humanos e na valorização da diversidade.






