02 jun CRP-MG prestigia lançamento do relatório do Transpasse
Dados do projeto apontam que 70% das pessoas atendidas são mulheres trans ou travestis, 75% negras e 81% vivenciaram situação de rua ou abrigamento; apenas 20% tinham acesso a serviços públicos de saúde mental
Assessoria de Comunicação CRP-MG
O Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais (CRP-MG) esteve representado pelo conselheiro João Morais no lançamento do relatório do projeto Transpasse, realizado na última sexta-feira, 29 de maio, no Auditório Francisco Luiz da Faculdade de Direito da UFMG. O Transpasse é uma iniciativa de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais que oferece assistência jurídica e psicossocial a pessoas trans e travestis em situação de vulnerabilidade em Belo Horizonte, com atendimentos semanais às sextas-feiras, das 12h às 14h.
Os números apresentados no relatório do projeto revelam um cenário de desigualdade. Entre as pessoas acompanhadas pelo projeto, 70% são mulheres trans ou travestis, 75% se declaram negras e 81% relataram ter vivenciado situação de rua ou abrigamento. Apenas 30% concluíram o ensino médio, e a participação no mercado formal de trabalho é rara. Do total, 63% já precisaram recorrer à prostituição para garantir seu sustento, e somente 20% conseguiram realizar a retificação de nome e gênero no registro civil. O relatório também aponta que apenas 20% das atendidas acessavam serviços públicos de saúde mental, evidenciando uma lacuna na rede de atenção psicossocial.

Evento Transpasse – Maio de 2026
A pandemia de Covid-19 aprofundou a precariedade das condições de vida dessa população, ampliando a vulnerabilidade. O número de pessoas atendidas pelo Transpasse saltou de 337 no final de 2023 para 522 no final de 2024, demonstrando o aumento da demanda. Durante o evento, foi destacada a importância de estabelecer vínculos e de construir um canal de comunicação eficiente com a Defensoria Pública para encaminhamento de relatórios. O psicólogo Marco Aurélio Prado, coordenador do projeto, ressaltou a necessidade de “se reinventar e acreditar que é possível fazer o presente de outra maneira”, bem como de “acreditar no que as pessoas falam”, adotando uma ética metodológica que não suspeita dos testemunhos e os leva a sério, ao contrário do que ocorre, muitas vezes, no próprio sistema de justiça.
A advogada e organizadora do Transpasse, Julia Vidal, falou sobre o enfrentamento à criminalização de pessoas trans. Também foi discutida a necessidade de vincular o projeto às políticas públicas, transferindo sua metodologia para órgãos públicos como forma de prevenção à precarização do trabalho e à violência institucional.






