A importância do ensino religioso nas escolas foi tema de encontro no CRP-MG

O Psicologia em Foco desta quarta-feira, 25/7, debateu a “Educação e religião: o que a Psicologia tem a ver com isso?”. Veja o evento na íntegra.

O psicólogo Reinaldo Silva, doutor em Ciência da Religião, professor da UEMG e coordenador da Comissão Psicologia, Laicidade, Espiritualidade, Religião e outros Saberes Tradicionais do CRP-MG explicou que para aprofundar na temática é preciso responder à pergunta proposta para o debate. “O objeto da Psicologia é o ser humano e a religiosidade é um produto ser humano. A maneira na qual o sagrado é representado dentro das culturas, é religião, então se é um produto humano é um produto da Psicologia e ela deve compreender esse produto do sujeito”, explicou.

A disciplina de ensino religioso é prevista na Constituição Federal de 1988 para escolas públicas de Ensino Fundamental. No entanto, em 2017, o Supremo Tribunal Federal autorizou o ensino religioso confessional nas escolas públicas.  O ensino religioso de caráter confessional trata os ensinamentos de uma religião específica já o ensino religioso aborda fundamentos, costumes e valores das religiões.

Reinaldo Silva explicou que em meio a essa retrógada decisão, falar sobre o tema e defender o ensino religioso, se tornou algo complicado. “Infelizmente, a escola se torna um espaço de acirramento e disputa religiosa e não de troca de saberes”, disse o psicólogo. Reinaldo apontou dois aspectos que não se pode perder de vista quando o assunto é o ensino religioso: “ensino religioso não é catecismo. Ensino religioso não é o lugar para ensinar uma doutrina religiosa. E o ensino religioso, enquanto disciplina, é laico e deve trabalhar com a diversidade”.

Erisvaldo dos Santos, doutor em Educação e professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto, trouxe a perspectiva a partir da Educação. “Eu também defendo a educação religiosa. Porque eu trabalho a ideia de que a religião é uma dimensão importante do ser humano. Ao contrário de uma discussão que se construiu durante muito tempo no campo da Educação, de que ela era algo da esfera privada e que a escola pública não tinha nada a ver com isso”, explicou. O educador ainda acrescentou: “nós defendemos a educação do olhar, do ouvir e do sentir”.

A mesa foi mediada por Denis Formiga, psicólogo, mestrando em Ciências da Religião e membro da Comissão Psicologia, Laicidade, Espiritualidade, Religião e outros Saberes Tradicionais do CRP-MG.



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