Ação em Brumadinho realça a atuação plural da Psicologia

O preenchimento de formulário inicial de demandas das famílias atingidas pelo rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho, permanece em curso. A ação inicialmente coordenada pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) passa agora a ser auto-gerida pelas(os) psicólogas(os) voluntárias(os). “A atividade consiste em auxiliar a Secretaria de Impacto Social no levantamento das demandas urgentes das famílias e da comunidade”, explica o psicólogo que integra o grupo, Bernardo Dolabella. A responsabilidade do serviço da rede locorregional é traçar as estratégias.

Segundo Dolabella, um dos primeiros psicólogos que se manifestou para participar do grupo voluntário, a partir do preenchimento tem sido possível mapear as demandas e as urgências da população de maneira mais precisa e individualizada. Ele ressalta a importância dessa atividade ser desempenhada por psicólogas(os): “a população está extremamente fragilizada e muitas vezes começando a assimilar o ocorrido. A presença do profissional de psicologia ameniza, por meio de uma escuta empática e qualificada, possíveis efeitos colaterais dessa coleta, já que atuamos de forma não invasiva e buscando ao máximo a não revitimização da população. Além do cuidado e proteção da população, nossa formação nos auxilia a lidar com todo o conteúdo traumático que surge durante as entrevistas, permitindo a realização do trabalho de maneira mais efetiva e menos danosa para nosso próprio psiquismo. A escuta qualificada vem permitindo identificar outras demandas que não se apresentam de forma tão óbvia”.

A psicóloga Cynthia Dias, que também participa da atividade coordenada pelo CRP-MG, acredita que “participar dessa ação em Brumadinho, após um genocídio dessa magnitude, é de suma importância. Temos metodologias para poder lidar com situações de crise com pessoas extremamente vulnerabilizadas”. Para ela este é o momento para a categoria se fortalecer enquanto profissão capaz de atuar em atividades que vão além do contexto clínico, pois possui “responsabilidade no fortalecimento de vínculos, nas questões de pertencimento ao território. As(os) profissionais da Psicologia devem ser ativas(os) nas demandas emergenciais, ter compromisso social com o uso de seu conhecimento para atender a população”, assinala.

 “É possível pensar de maneira clínica e identificar traumas, depressões, ansiedades, e vários outros transtornos emergindo da população. Existe uma preocupação muito grande acerca da saúde mental dessas pessoas, e das possíveis maneiras de se auxiliá-las a lidar com os fatos”, corrobora Bernardo Dolabella.

Situação local – Nesses dias em Brumadinho, alguns fatos têm chamado a atenção do CRP-MG e do grupo voluntário. Um deles é a atuação de líderes comunitários em contato constante com os órgãos públicos, para reivindicar cuidados para a população e auxiliar a atuação dos órgãos governamentais e a comunidade que se articula, se ajuda, se protege e se conforta. Outra questão é apontada por Cyhthia Dias: “percebemos que as pessoas já estavam extremamente vulnerabilizadas pela própria condição socioeconômica e a própria rede local também fragilizada, com apenas um psicólogo para atender”. Para a psicóloga a categoria deve identificar os locais onde deve ser mais atuante e cobrar dos governantes que amplie o quadro de profissionais.

Vídeo
Secretário Municipal de Saúde, Junio Araújo, resolve diversas dúvidas e fala à população sobre o trabalho pós tragédia da Vale, mencionando o envolvimento do CRP-MG.