27 nov CRP-MG participa da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver
Ato reuniu, em Brasília, mais de 300 mil mulheres de todo o país
Na última terça-feira, 25, Brasília sediou a Segunda Marcha das Mulheres Negras. A primeira edição do evento ocorreu há dez anos, quando mais de cem mil mulheres marcharam rumo à capital federal, em protesto contra o racismo e a desigualdade social e de gênero no país. Neste ano, estima-se que mais de 300 mil ocuparam a Esplanada dos Ministérios, com palavras de ordem e discursos de solidariedade.
O Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) participou do encontro, representado pela conselheira Ângela Valentim.

Conselheira Ângela Valentim representou o CRP-MG na Marcha das Mulheres Negras
“O CRP-MG é uma autarquia pública e sua função não é apenas fiscalizar, mas também dialogar com a sociedade, conhecer as demandas reais e construir respostas institucionais. Participar da Marcha significa estar perto da população e compreender seus sofrimentos, sociais e emocionais”, afirma a psicóloga.
Na avaliação da conselheira, a marcha gera um lugar de pertencimento e representatividade. “De modo geral, a vivência das mulheres negras é bastante solitária. Ser a única ou a primeira mulher negra em diversos espaços é muito desafiador. A marcha traz esse conforto emocional e a certeza de que não estamos sozinhas”, observa.
A psicóloga lembra que a Psicologia tem responsabilidade ética e política na defesa dos direitos humanos e no enfrentamento de todas as formas de racismo. “O Código de Ética determina que psicólogas e psicólogos combatam o racismo, as discriminações e as opressões. A Marcha é, também, um espaço de reafirmação pública desse compromisso”, reforça.
Ciranda de Saberes
Como encontro preparatório, no dia 24 de novembro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) promoveu a Roda de Conversa “Ciranda de Saberes: Diálogos da Psicologia Brasileira com as Mulheres Negras”, dentro da programação oficial da “Semana por Reparação e Bem Viver”.
O evento reuniu representantes dos Conselhos Regionais de todo o país. O objetivo era promover o diálogo e a escuta coletiva entre mulheres negras da Psicologia, fortalecendo o protagonismo e a visibilidade.
“Nessa Ciranda houve o compartilhamento de saberes entre psicólogas que também são mulheres negras. Foi um momento de apresentação e reflexão sobre pautas e dificuldades comuns”, conta Ângela.
De acordo com a conselheira mineira, a Roda de Conversa abordou questões sensíveis como o aborto e seus efeitos psicológicos, em especial em meninas e mulheres negras. “Um dos objetivos da ciranda foi ampliar o debate sobre temáticas que perpassam o cotidiano das mulheres negras e os impactos na saúde mental delas”, conclui.
A mulher negra no Brasil
Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, divulgada no ano passado, mais de 45 milhões de mulheres negras (com 16 anos ou mais) vivem hoje no Brasil. De acordo com o estudo, a maioria delas (66%) vive com renda de até dois salários mínimos. Já 32% afirmam não ter renda ou ter renda insuficiente (34%). A pesquisa demonstra forte associação entre a realidade socioeconômica dessas mulheres e a violência doméstica.
Já dados da pesquisa Visível e invisível, sobre a vitimização de mulheres, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam níveis mais elevados de violência contra mulheres negras. Em 2022, dentre as mulheres que afirmaram sofrer violência, 65,6% eram negras, 29% brancas, 2,3% amarelas e 3% indígenas.
Mobilização
Após o movimento histórico em Brasília, a Marcha das Mulheres por Reparação e Bem Viver segue sendo articulada nos 27 estados do país por meio de Comitês Impulsores Estaduais, Municipais e Regionais, mobilizados por mulheres negras, integrantes de organizações, grupos comunitários ou ativistas independentes.
“O objetivo é reabastecer e motivar as mulheres negras em suas lutas por direitos”, explica Ângela. “Como um dos encaminhamentos, temos agora o desafio de conseguir aumentar, em 2026, o números de mulheres negras ocupando cargos políticos no executivo, legislativo e em todos os espaços de poder”, compartilha a conselheira.
Confira o Manifesto das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver.






