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CRP-MG realiza diálogos sobre prevenção e manejo do suicídio

A partir de interesse sinalizado pela categoria, assunto tem sido abordado em reuniões de Comissões Temáticas e também foi pauta no III Congresso Mineiro de Psicologia
Jornalismo CRP-MG

 

No dia 28 de setembro, às 14 horas, as Comissões Temáticas de Orientação em Psicologia e Temas Emergentes em Saúde Mental e Psicologia e Clínica do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) promoverão uma reunião on-line conjunta com o tema “Prevenção do suicídio e valorização da vida: desenvolvimento de habilidades e recursos para a prática em Psicologia”. A conversa é aberta a profissionais e estudantes de Psicologia e será guiada pela psicóloga e doutora em Psicologia, Manoela Mangabeira. As inscrições já estão disponíveis.

A reunião conjunta integra um trajeto que tem sido percorrido pela Comissão de Temas Emergentes em Saúde Mental desde maio deste ano. A conselheira do CRP-MG e coordenadora da Comissão, Aline Vaz, explica que a discussão sobre prevenção do suicídio e manejo do risco foi apontada como tema de interesse na consulta pública que o Conselho realizou junto à categoria de novembro de 2025 a janeiro de 2026. “A partir dessa demanda, buscamos aprofundar a discussão e temos realizado encontros da Comissão, convidado profissionais com experiência na área e refletido sobre diferentes aspectos envolvidos no cuidado: manejo clínico do risco, construção de planos de segurança, articulação com a rede e com familiares, limites do sigilo, suporte entre profissionais e também o cuidado de quem atende situações tão complexas”, ressalta a conselheira.

Outro desdobramento do trabalho que vem sendo realizado pela Comissão foi a mesa-redonda “Risco de suicídio na prática: o que fazer e como agir com segurança e ética considerando diferentes contextos de atuação (clínica, políticas públicas e rede)?”, promovida durante o III Congresso Mineiro de Psicologia. Manoela Mangabeira foi uma das palestrantes da atividade e conta que o público compartilhou dúvidas sobre manejo, formas de conduzir e questões sociais que atravessam o comportamento suicida. “Foi um momento muito potente, de formação mesmo. Conseguimos levantar o tema de forma técnica, científica e estimulamos a turma, que estava lotada, a buscar mais informações sobre esse fenômeno que é multicausal e multifatorial”, relata.

Desafios para psicólogas e psicólogos

O psicólogo Esequias Caetano tem contribuído com as reuniões da Comissão de Temas Emergentes e levanta aspectos que aparecem com recorrência nos encontros. “A primeira coisa que me chama a atenção é que muitos profissionais têm medo de abordar diretamente o tema ‘suicídio’, de perguntar se o paciente tem ideação, intenção, acesso a meios letais, entre outras coisas. O assunto é complexo, envolve riscos reais para os quais nem sempre o profissional está preparado, então é um medo compreensível. Ao mesmo tempo, não perguntar sobre suicídio fecha portas. Tira de nós a oportunidade de acolher a dor, de oferecer ajuda e criar um espaço seguro para que o paciente possa falar de sua experiência”, avalia.

Esequias Caetano enfatiza que é importante que psicólogas e psicólogos abordem o assunto. “Muitos pacientes sentem vergonha da própria experiência com pensamentos e afeto relacionados ao suicídio, ou não têm esperança de que falar ajudará em algo, ou aprenderam a inibir a expressão emocional, entre outras coisas. Consequentemente, podem não relatar a ideação e o afeto espontaneamente”, explica.

“A segunda coisa é que muitos profissionais realmente não sabem como avaliar o risco de suicídio e como manejá-lo. Não digo que todo profissional precisa saber tratar um paciente em risco de suicídio, porque é um tratamento que pode ser complexo tanto do ponto de vista técnico, quanto emocional, mas é importante que todo profissional saiba avaliar o risco e consiga oferecer acolhimento e suporte iniciais, para que posteriormente o paciente seja encaminhado a alguém que trabalha com a demanda”, aponta.

A categoria também precisa estar atenta ao fazer posicionamentos para a sociedade. “Muitos profissionais não sabem como falar publicamente sobre o tema, mas ainda assim, fazem publicações a respeito especialmente em campanhas como Setembro Amarelo. Muitas não ajudam e algumas podem até ser prejudiciais. Por exemplo, muita gente posta frases motivacionais, aborda estatísticas de maneira sensacionalista, ou simplesmente deixa de indicar caminhos através dos quais a pessoa pode buscar ajuda”, reforça Esequias Caetano.

Atuação em políticas públicas

No dia 16 de setembro, às 10h, Esequias também vai participar do encontro on-line que o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) do CRP-MG, vai promover para analisar a versão preliminar da publicação Referências Técnicas para Atuação das Psicólogas junto às Políticas Públicas sobre Suicídio e Posvenção.

“Quando consideramos políticas públicas, é fundamental reconhecer que a prevenção do suicídio não pode se restringir ao manejo da crise ou à atuação individual de um profissional. Ela precisa ser pensada como uma política permanente, articulada e baseada em evidências”, argumenta Esequias.

Segundo o psicólogo, a Organização Mundial da Saúde recomenda intervenções populacionais como a restrição do acesso a meios letais e a comunicação responsável sobre suicídio; ações de promoção, como o desenvolvimento de habilidades socioemocionais entre jovens; e, simultaneamente, identificação e acompanhamento das pessoas afetadas por comportamentos suicidas. Trabalho que deve ter como base análise da situação epidemiológica, articulação multissetorial, capacitação, financiamento, vigilância e avaliação das ações.

“Outro ponto fundamental é não estabelecer uma falsa oposição entre o clínico e o social. Uma política pública precisa garantir cuidado qualificado para pessoas em crise, pessoas que fizeram tentativas de suicídio e pessoas com condições clínicas relevantes, mas precisa também considerar as condições concretas nas quais o sofrimento ocorre: violência, desigualdade, discriminação, trabalho, território, isolamento social e barreiras de acesso ao cuidado. Isso implica construir respostas entre saúde, assistência social, educação, segurança, justiça e outros setores, em vez de depositar toda a responsabilidade sobre a pessoa, sua família ou um único serviço”, afirma.

Esequias também defende que a posvenção precisa fazer parte da política pública. “É necessário que serviços, escolas, universidades, ambientes de trabalho e outros equipamentos saibam previamente o que fazer diante de uma morte por suicídio: como comunicar de maneira responsável, oferecer acolhimento, identificar pessoas particularmente impactadas e garantir acesso e continuidade do cuidado quando necessário”, aponta.

“Por fim, políticas públicas precisam ser avaliadas. Não basta termos campanhas, documentos ou encaminhamentos. Precisamos saber se as pessoas estão conseguindo acessar o cuidado, se há continuidade entre os serviços, se determinados grupos estão ficando de fora, se os profissionais estão capacitados, se as ações estão sendo implementadas como previsto e, principalmente, se estão produzindo os resultados esperados. Para mim, uma política pública consistente sobre suicídio precisa combinar direitos, equidade, evidência científica, organização de rede e avaliação permanente”, avalia o psicólogo.

AGENDA

Consulta Pública – Referências Técnicas para Atuação das Psicólogas junto às Políticas Públicas sobre Suicídio e Posvenção
Data: 16 de setembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 10h
Formato: on-line, pelo Google Meet
Acesse o link da reunião

Reunião conjunta das Comissões Temáticas de Orientação em Temas Emergentes em Saúde Mental e Psicologia e Clínica
Tema: “Prevenção do suicídio e valorização da vida: desenvolvimento de habilidades e recursos para a prática em Psicologia”
Data: 28 de setembro de 2026 (segunda-feira)
Horário: 14h
Acesse o link de inscrição na reunião

 



– CRP PELO INTERIOR –