Conselho participa da campanha do SUAS

Nesta quinta-feira (28) foi lançada, em Belo Horizonte, a Campanha de combate ao preconceito contra a(o) usuária(o) do SUAS, que tem como lema: O SUAS é seu, o SUAS é nosso, o SUAS é de quem tem direito!. O Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG), além de participar da ação, integrou a cerimônia de lançamento. Clique aqui para ver o vídeo da campanha e clique aqui para ver as fotos.

A conselheira presidenta do CRP-MG, Dalcira Ferrão, que compôs a mesa na cerimônia de lançamento destacou que a campanha foi idealizada pelo Conselho Federal de Psicologia e pelo Fórum Nacional de usuárias e usuários do SUAS. “Estamos na fase de disseminar a Campanha nos Estados e regionalmente. E aqui em Minas Gerais, o Conselho Regional de Psicologia a concretiza a partir da construção conjunta com a Secretaria estadual de desenvolvimento social em Belo Horizonte, Minas Gerais (Sedese) e o Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas)”, disse.

Segundo Dalcira Ferrão, nos últimos 30 anos a Psicologia vem protagonizando a luta dos direitos de grupos marginalizados na sociedade: inicialmente com o enfrentamento contra a segregação e a institucionalização de pessoas com sofrimento mental e, mais recentemente por meio da discussão dos efeitos e estigmas do preconceito na subjetividade de usuárias e usuários da política de Assistência Social.

“Nesse momento de desmonte das políticas públicas e retração dos direitos sociais, esta Campanha vem reafirmar que a Assistência Social é um direito, e não caridade, favor ou assistencialismo e surge como um importante ato de resistência ao golpe e as suas consequências para a política do SUAS. O golpe autoriza paradigmas mais conservadores, vindo no esteio de uma onda liberal, que criminaliza a pobreza e mostra-se intolerante às diferenças”, pontuou a conselheira presidenta do CRP-MG durante o lançamento.

Cartilha (clique na imagem para abrir o documento) – Ao citar os materiais da Campanha, Dalcira Ferrão apresentou o caderno de orientação às trabalhadoras e trabalhadores do SUAS, que será enviado para todos os equipamentos e serviços dos 853 municípios de nosso estado. Ela explicou que a cartilha apresenta a discussão de concepções do preconceito e estigmas, e como eles são construídos a partir dos marcadores sociais de opressão – renda, gênero, raça, etnia, geração, diversidade sexual, dentre outros; e também traz sugestões para que trabalhadoras e trabalhadores do SUAS abordem o tema do preconceito com as usuárias e usuários nos serviços, para que se empoderem sobre temática e protagonizem esse “lugar de fala” contra os efeitos do preconceito em suas vidas.

Segundo a conselheira e co-coordenadora da Comissão de Psicologia e Política de Assistência Social do CRP-MG, Márcia Mansur, que comporá a segunda etapa do evento de lançamento da campanha, esta vem desconstruir o preconceito, o estigma que a sociedade lança sobre quem vive em situação de vulnerabilidade social como a pobreza, a fragilidade de vínculos entre famílias, a situação de moradia e exposição a diversos tipos de violências. “A Constituição de 1988 veio garantir direitos por meio da criação de serviços e benefícios para essas pessoas, facilitando o desenvolvimento de potencialidades e o fortalecimento de autonomias. Na contramão, a sociedade insiste em manter essa postura de exclusão como se fossem pessoas acomodadas e preguiçosas. Vemos ainda uma estigmatização de negros e outras etnias, mulheres e aquelas com orientação sexual diferente da visão tradicional e normativa. A população brasileira tem uma visão moralizante, igualando e excluindo quem sai do padrão que considera normal”, concluiu.

A psicóloga superintendente da Proteção Social Básica e Gestão do SUAS na Sedese, Deborah Akerman, avalia a participação da Psicologia nessa campanha como fundamental pela experiência na discussão de empoderamento de usuárias(os) adquirida na Luta Antimanicomial. “Trazer esse conhecimento para o SUAS é fundamental neste momento pois existem muitas semelhanças, sobretudo quando se pensa na segregação. Privilegiar a convivência comunitária é urgente para a Assistência Social”, afirmou.