Desfile da Luta Antimanicomial reúne milhares de pessoas em BH

Com 21 anos de tradição, usuários de saúde mental, familiares e trabalhadores do setor, se encontraram para mais um desfile do Dia da Luta Antimanicomial em Belo Horizonte. A alegria e a luta pelos direitos humanos inundaram as ruas de Belo Horizonte, na segunda-feira (18/5). O movimento, que teve concentração na Praça da Liberdade, seguiu pelas principais ruas do centro da capital com destino final a Praça da Estação, envolveu todos que passavam pelo caminho.

Em frente a Prefeitura de Belo Horizonte foi lido o manifesto “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça: por uma sociedade sem manicômios!”, que tem como objetivo alertar a população e o poder público da importância e da eficácia do tratamento em liberdade.

Estudantes, professores e simpatizantes da reforma psiquiátrica também compareceram ao desfile, que contou com seis alas para homenagear o psiquiatra italiano Franco Basaglia – que no final da década de 70 veio a Minas Gerais trazendo ideias que influenciaram na Reforma Psiquiátrica do país. Ao refrão de “Se já teve Bombrilhão e também psiu psiu, foi por causa de Basaglia da Itália pro Brasil”, os manifestantes sambaram e sorriram, distribuindo alegria e entusiasmo pelas ruas.

O desfile – A primeira ala, “Cavalo é marco: enquanto houver beco, existe saída”, trazia a sua frente o cavalo Marco, em papel machê, que é o símbolo da desinstitucionalização. A segunda, “Penso, louco existo”, afirmava que há pensamento na loucura e muitas vezes belos pensamentos. Já a ala “Alice faz maravilhas num país sem manicômios nem prisões” se inspirou na história da personagem homônima do “País das Maravilhas” para mostrar que é possível sim, ter o tratamento em liberdade, desde que tenha carinho e respeito.

“Quem cala consente, serpente na boca da gente” foi a quarta ala e trazia a importância de se falar quando há problemas nos serviços abertos com os usuários e trabalhadores. A quinta “Cuidar sim! Monitorar, não”! Sorria você está sendo…cuidado”, retratou a instalação de câmeras de monitoramento nas ditas “cracolândias”, que apenas vigia e monitora os usuários de drogas. A ala chamou a atenção para a garantia de uma política de saúde para esses usuários. Já o último grupo “Nem de cabeça pra baixo, me rebaixo” mostrou que é no interior de cada um que se encontra a força capaz de romper com os manicômios.

O 18 de maio é um dia celebrado para alertar e mostrar os aspectos políticos da luta, contra as práticas manicomiais. O que comprava o próprio samba enredo de 2015, de autoria do Coletivo do Centro de Convivência Providência que diz “esse samba não tá fora, esse samba já ganhou. Ele é realidade de louco e trabalhador. Dessa rede de saúde que quer se fortificar. Resistência e poesia nas ruas de BH”.

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– CRP PELO INTERIOR –