Encontro reuniu psicólogas(os) que atuam na Assistência Social na Região Metropolitana de BH

Evento contou com a participação de mais de 200 profissionais

O I Encontro Metropolitano de Psicólogas(os) do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) reuniu mais de 200 profissionais em Belo Horizonte, na última sexta-feira, 10/11. A iniciativa foi promovida pelo Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais (CRP-MG) por meio da Comissão de Psicologia e Política de Assistência Social. Veja as fotos.

A conselheira do CRP-MG e coordenadora da Comissão, Márcia Mansur, destacou que o debate sobre a atuação da Psicologia no SUAS já ultrapassou a fase em que se questionava qual seria a diferença entre a contribuição de assistentes sociais e psicólogas(os). “Os referenciais teóricos da Psicologia são importantes e temos contribuições como atores sociais e políticos junto às políticas públicas”, afirmou.

Na primeira parte do encontro, as(os) participantes assistiram a palestras da psicóloga e doutora em Psicologia Social, Maria da Graça Gonçalves, e da psicóloga e coordenadora de Estudos Pós-graduados em Psicologia Social da PUC-SP, Bader Sawaia.

Sociedade brasileira – A professora da PUC-SP, Maria da Graça, chamou a atenção para o fato de que discutir políticas sociais está relacionado ao projeto de sociedade que se quer construir. Maria da Graça propôs que o público refletisse sobre como se constrói a subjetividade numa sociedade que naturaliza a desigualdade e a noção de que há cidadãos e subcidadãos, como no Brasil.

Maria da Graça alertou para as dinâmicas do racismo institucional. “O atendimento na saúde, educação, assistência social é diferente para as pessoas negras. Elas enfrentam mais dificuldades para acessar os serviços e recebem atendimento pior”, afirmou.

A professora elencou as noções de: clínica ampliada, cuidado, atenção psicossocial e acolhimento como algumas das contribuições da Psicologia para as políticas de assistência social.

Ética e afetos – A professora Bader Sawaia orientou sua exposição a partir da noção de ética defendida pelo filósofo Espinoza. A professora explicou que para Espinoza não existe a separação entre corpo e mente e nem a dicotomia entre razão e emoção. “Ele defende que o afeto contem a ética. As emoções não podem ser criticadas ou controladas. Ninguém pensa, sente e age sem emoção. Não existe racionalidade sem emoção”, citou.

Nessa perspectiva, todos os encontros entre as pessoas geram afetações que provocam mudanças positivas ou negativas, que irão aumentar ou diminuir a potência de vida. Por exemplo, há encontros que irão gerar medo, humilhação. É nesse aspecto que a ética, na concepção de Espinoza, reside.

Bader Sawaia também destacou que, em muitos casos, psicólogas(os) podem ser convocadas(os) a atuar para controlar expressões da emoção, do desejo, do afeto. E propôs que o trabalho se dê em direção oposta: “o nosso corpo é memorioso das experiências dos pais, da família, da nação. Essa subjetividade mantem mas, ao mesmo tempo, pode escapar. Temos que incentivar esse escape com o colonialismo, com a meritocracia”.

Bader realçou que o trabalho de profissionais da Psicologia na Assistência Social é difícil, abstrato. “O profissional pode se sentir angustiado por não estar conseguindo avançar na profissão, não ver resultados”, relatou. Para a professora, essa experiência negativa pode ser mudada se o trabalho incentivar o sentimento de comum, do que é partilhado entre as pessoas e que de fato importa.

Rodas de Conversa – Na segunda parte do Encontro houve apresentação de trabalhos e discussões em rodas de conversa. Na sequência, todos se reuniram para partilhar os aspectos que surgiram nos debates em grupo. A mediação das apresentações foi realizada pela mestra em Psicologia e coordenadora da Comissão de Psicologia e Política de Assistência Social do CRP-MG, Deborah Akerman.

Os grupos temáticos apontaram temas importantes, como a teoria Decolonial, que tem a proposta de descolonizar os pensamentos, olhares e práticas enraizados no trabalho de psicólogas(os) do SUAS. As atividades em grupo desenvolvidas pelas(os) psicólogas(os) nos territórios de atendimento foram apontadas como iniciativas fundamentais para melhorar o relacionamento com a comunidade e com o serviço.

Também foram apresentadas propostas de melhorias no sistema de atendimento, para que novos resultados sejam alcançados. As psicólogas apontaram a importância de se ter mulheres na gestão e citaram a necessidade de as profissionais estarem sempre se atualizando e buscando novas capacitações para que o serviço se renove e mantenha sua força.

Preparação para o Estadual – O Encontro Metropolitano integra as ações preparatórias que o CRP-MG está promovendo em 2017 com vistas à realização do Encontro Estadual do SUAS, que será realizado no próximo ano. Até novembro, além do Encontro Metropolitano, foram realizados eventos com nas regiões sul, sudeste e centro-oeste de Minas Gerais.

Vídeo – O Encontro Metropolitano foi filmado e em breve o link para assistir o registro será divulgado nos canais de comunicação do Conselho.