Nota de repúdio à comemoração do golpe militar de 1964

O governo determinou que o Ministério da Defesa faça as “comemorações devidas” dos 55 anos do golpe militar. Em 31 de março de 1964 foi implementado no Brasil um regime ditatorial perverso e assassino, compondo um triste período de nossa história moderna. A ditadura militar que comandou este país por 21 anos promoveu a perseguição, a tortura e a morte de milhares de brasileiros, sendo responsável direto pelo sofrimento de mães, pais, filhos, esposas, maridos, amigos.

A Psicologia não relativiza a tortura, não compactua com a perseguição, com a exclusão e com o cerceamento dos direitos. Como uma ciência humana, tem o compromisso com a liberdade, com a equidade nas relações sociais e com a promoção dos Direitos Humanos.

Nossa profissão nos coloca o desafio de trabalhar em prol da saúde mental das pessoas, o que nos chama a uma prática inclusiva, acolhedora e que valoriza e reconhece a diversidade que caracteriza a condição existencial do ser humano.

Por isso, é dever desta autarquia manifestar seu repúdio ao posicionamento presidencial. Comemorar um regime tão danoso é reabrir feridas que ainda custam cicatrizar. A atitude do governo brasileiro demonstra uma falta de cuidado que não condiz com sua responsabilidade perante o país.

Precisamos ficar atentas(os) para não trazermos de volta um imaginário coletivo que permita e justifique práticas que produzam a dor, o sofrimento e a morte. A sociedade, já fragilizada por um momento histórico de incertezas e dificuldades, não precisa de mais este incentivo ao ódio e à discriminação.


Belo Horizonte, 28 de março de 2019
Comissão de Direitos Humanos
XV Plenário do Conselho Regional de Psicologia – Minas Gerais

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