Protagonismo de usuárias e usuários é fundamental para as políticas públicas

A mesa “O protagonismo de usuárias(os) na formulação, execução e monitoramento das políticas públicas” abriu o segundo dia de debates da etapa sudeste do IX Seminário Nacional de Psicologia e Políticas Públicas. A mediadora da mesa, Deborah Akerman, destacou a campanha articulada pelo Conselho Federal de Psicologia e pela Comissão Nacional de Psicologia na Assistência Social para o combate ao preconceito contra usuárias(os) do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).  

Militante da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam), Laura Camey, apontou as inúmeras contradições na forma como a sociedade lida com a loucura. “Ao mesmo tempo que o louco é considerado incapaz, também é apontado como muito perigoso”, apontou.

Laura também questionou os hospitais psiquiátricos: “acho perverso discutir autonomia de um usuário que está no hospital psiquiátrico, porque tem gente que acha que a higienização do hospital é suficiente. Isso é mentira. Essa autonomia é um abandono. A pessoa é jogada no hospital e quando sai de lá que tenha boa sorte para não entrar em sofrimento de novo. A vida de quem está no hospital entra em hiato”, relatou.

Ela apontou que no caso das pessoas consideradas “normais” fases da vida de maior passividade diante dos acontecimentos são consideradas momentâneas, mas no caso do louco isso é considerado como uma característica permanente. “Adoecer faz parte da vida e a forma como nós lidamos com a doença e com o doente diz muito mais sobre nós do que qualquer outra coisa”, afirmou.

A psiquiatra, psicóloga e militante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, Miriam Abou-Yd, levantou aspectos que revelam o quanto a luta antimanicomial exige uma postura crítica das(os) profissionais. “A emancipação e a autonomia devem rearticular a construção da vida e não a simples remissão dos sintomas”, apontou. Miriam também reforçou que a clínica antimanicomial trabalha na perspectiva inversa de quem nega o saber do louco. “A exclusão da subjetividade do louco impõe uma mordaça que silencia a sua voz ou a esvazia de sentido”, afirmou.